O cheiro da noite. O cheiro da noite. Já sentiu o cheiro da noite? Eu sinto. De olhos abertos. De olhos fechados. Respiro. Inspiro. O cheiro da noite. E encontro motivos para sorrir. E abro o meu coração. E acredito no amor. Olho a lua. Todas as fases da lua podem acontecer em 24 horas. E eu adoro todas elas. Mas é lua cheia. Lua cheia me estufa o peito.
Os gestos simples têm delicadeza. Meu tempo da delicadeza. Tempo de onde eu falo. Tempo de onde eu me doo. A mim mesma. A quem está perto. A quem está por aí. Um dia de cada vez. O presente. E que a delicadeza floresça em cada carinho. Essa é a minha escolha.
14 maio 2014
Fala hoje por mim, silêncio, fala por mim que eu não posso.
(Falou por mim ele, José Saramago.)
09 maio 2014
Foi para ti que desfolhei a chuva para ti soltei o perfume da terra toquei no nada e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre
Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos simplesmente porque era de noite e não dormíamos eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos nos olhos vivendo de um só amando de uma só vida
eu amo você no sorriso que você abre quando tira a nota máxima. Amo você no seu jeito concentrado de não querer se concentrar na leitura obrigatória. Amo você se olhando no espelho. A inquietação das suas pernas porque só combina com as minhas paradas. Amo você no brilho dos seus olhos descobrindo um cd novo na livraria. Quando descobre uma leitura boa. Amo você no seu jeito de cantar e dançar com o fone no ouvido. Amo o seu jeito de dormir de lado, quase de bruços. E o seu jeito manhoso de não ter conseguido dormir as horas que precisava. Adoro o seu jeito quando está sem jeito. O seu cheiro. O cheiro da sua roupa no armário. Toda a imensidão. E eu sempre vou ficar com as coisas que talvez você nem saiba que eu percebo.
04 maio 2014
Penélope é conhecida, provavelmente, mais por sua lealdade. Ela era filha de Icário. De acordo com a mitologia, Icário, um príncipe espartano, prometeu a sua linda filha ao homem que pudesse vencê-lo em uma corrida. Ulisses derrotou Icário e levou Penélope como sua noiva .Icário queria que o jovem casal ficasse com ele, mas Ulisses insistiu em ir embora. Icário
perguntou pra filha o que ela queria e ela não
respondeu. Simplesmente deixou cair o véu sobre o rosto, o que
significava que ela iria seguir seu futuro marido. Icário mandou construir uma estátua que representasse a modéstia da filha. Penélope e Ulisses viajaram para Ítaca e Penélope deu à luz ao filho de Ulisses, Telêmaco. Um dia, os gregos vieram pedir a ajuda de Ulisses
na Guerra de Troia. Quando a guerra acabou, não havia nenhum sinal de Ulisses. Talvez ele estivesse morto. Penélope passou a ser assediada. Muitos pretendentes foram pedir a mão de Penélope em novo casamento. O tempo passava e as chances de que Ulisses voltasse
tornavam-se menores, mas Penélope mantinha sua lealdade ao marido. Para evitar a escolha de um pretendente, Penélope bolou um plano. Ela anunciou que estava tecendo uma tela para Laertes, pai de seu Ulisses. Ela faria a escolha de um pretendente, quando terminasse de tecer. Penélope tecia durante o dia, mas desfazia o seu trabalho durante a noite. Fazia isso para ganhar tempo. Ela tinha esperança de ter Ulisses de volta. Ulisses não havia morrido em combate e voltou depois de um longo período. E eles viveram felizes até a morte de Ulisses.
A lealdade de Penélope abriu caminho para muitos poemas, prosas e pinturas.
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A mudança é interior. É importante termos cuidado com "soluções" que vão boicotar a nossa felicidade.
Estamos constantemente criando a nós mesmos. Decidindo a todo momento quem ou o que nós somos. Decidimos isso de acordo com as escolhas que fazemos.
*** "E se eu te disser que eu quero aprender a me amar e te amar também ao mesmo tempo..."
Ouvir a consciência. Ouvir a consciência sozinha. Sem interferências. Sem usar palavras e pensamentos de outras pessoas. Pensar por si mesmo. Quantos se permitem isso? Pra que se empenhar na angústia? O engenho é a vontade. Vontade de ser melhor. Saber que, pela primeira vez, se caminha soltando pesos desnecessários, agindo com gentileza, com amor pleno. Quando as espirais de fantasias, criações nossas, palavras dos outros são substituídas pelo agradável varrer os pensamentos dos outros da mente. Estimular as endorfinas. Estimular-se. Auto. Estímulo. Solo. "É preciso ter o caos dentro de si para dar origem a uma estrela bailarina", um incrível aforismo de Nietzsche.
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A oportunidade pode ter levar às alturas. A oportunidade pode te arremessar para baixo. A oportunidade pode ter levar às alturas.
A conveniência deve ser a única coisa que conta, se a cabeça está fria.
O meu coração é quente.
Sol que renova e conforta.
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A flor respondeu: - Bobo! Acha que abro minhas pétalas para que vejam?
Não faço isso para os outros, é para mim mesma, porque gosto. Minha
alegria consiste em ser e desabrochar. (O filósofo considerado
pessimista foi quem escreveu essa profundeza. Realista é o que ele é.)
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Conhecer os pontos cegos. Evocar emoções e depois a compreensão. A serenidade que se aproxima aparece até nos lábios. Nas palavras que saem e nas que circulam dentro da caixola.
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Vou voltar comentando a lenda de Penélope.
02 maio 2014
A vida não é esperar a tempestade passar. É aprender a dançar na chuva!
Só a singularidade pode ser amada. Essa singularidade é construída de mil maneiras. E é insubstituível.
Cada um é uma singularidade. E é na singularidade que se descobre o amor pela pessoa. O particular e o universal são coisas externas.
O orgulho se mostrava como óculos escuros nos olhos da alma. Lente que distorcia.
É necessário ter a si mesmo. É preciso ser para bem amar.
Tenho pensado o amor. Tenho pensado mesmo. E tenho pedido e meditado para que fique só a doçura dentro de mim. Sem discurso, sem frase de efeito. Confio na ação do tempo que tudo reconduz ao equilíbrio.
Estou aprendendo a fazer todos os dias uma reflexão de como andam os meus sentimentos, como andam as minhas ações comigo mesma, com as pessoas na minha vida e com o mundo.
A aprendizagem do amor, aprendo, começa pelo amor a mim mesma. E de mim para o outro, chegando à plenitude do amor a Deus, ou força suprema do universo.
Quanto mais eu souber amar, mais amor terei para dar. Acredito que isso está ampliando a minha compreensão a respeito do amor. Peço lucidez para identificar qualquer direção contrária.
Nada de acionar mecanismos de defesa. Mecanismo de defesa é mola. Mola não oferece equilíbrio. Escrever é fácil. A prática não é fácil, mas é simples. Ser simples é aprendizado. Amor é aprendizado. Não vem pronto, de uma hora pra outra.
Desde que eu comecei a escrever esse blog, tanta coisa já me aconteceu. Boas e não boas. Momentos maravilhosos eu passei. Hoje, a pessoa que escreve aqui não é a mesma pessoa. A consciência não é a mesma. Eu desconhecia de que forma certos nós especificavam meu modo de agir. Não só os atos, mas as intenções.
Como a gente se sabota por falta de entendimento. Por falta de conhecimento. Por falta de humildade. Como a gente sabota o amor que sentimos.
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Escrever me dá alívio. Consigo organizar meu pensamento e o meu eu assim.
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Todo dia eu me convido a refletir sobre as raízes do meu comportamento.
Crescer, aprender e amadurecer. "A magia da verdade inteira, todo poderoso amor."
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Sorrir.
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Amor borboleta como uma flor com asas.
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O paraíso é uma construção mental da alma.
"Mas quanto antes descobrir
Este poder de escolher
Vai poder facilitar
Que aconteça o florescer Do potencial,
Do seu coração
Esse é seu dom, é seu direito
Seu dever, sua missão"
Nietzsche não é fácil de ler. A gente tem que derrubar ou suspender os pressupostos nos quais o nosso raciocínio se baseia.
O ponto central para a crítica de Nietzsche, até onde eu li, é uma tentativa de genealogia que vai mostrar o caminho sinuoso que os nossos conceitos morais têm tomado para terem a sua forma presente. A
moralidade é geralmente tratada como sagrada, porque assumimos que há
algum terreno transcendental pra nossa moral, seja Deus, a razão, a
tradição, ou outra coisa. No
entanto, ao contrário do que eu imagino seja o nosso pressuposto de que bom, ruim ou mal sempre tiveram o mesmo sentido, o método genealógico de Nietzsche
mostra como esses termos têm evoluído, quebrando qualquer ilusão de continuidade ou verdade absoluta de nossos atuais conceitos
morais.
Ele olha por debaixo do pano para ver o que impulsiona os
diferentes significados adotados ao longo do tempo. Nietzsche encontra força e vontade. Toda a existência, ele conta, é uma luta entre diferentes vontades para a sensação de poder. (...)
Minha pergunta: será que eu sou leal comigo mesma para perceber que sentimento eu tenho neste momento? Outra pergunta: será que nós somos leais conosco para percebermos que sentimento nós temos neste momento?